quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Moral

Há muitos anos no quarto ano da faculdade no ramo educacional no seminário interdisciplinar abordámos os temas da educação pelos valores e a teoria do desenvolvimento moral, este segundo tema na perspectiva de Lawrence Kohlberg, “estudo do julgamento moral a partir da transgressão”.
Este pensador influenciado por Piaget criou uma estrutura de desenvolvimento moral organizada em três grupos e seis níveis com o objectivo de facilitar a análise comportamental dos indivíduos enquanto membros de uma sociedade.
Grosso modo temos:
1º Grupo. Pré convencional:
1º Estágio: Como posso evitar a punição.
Orientação “punição obediência”. Neste estágio, a moralidade de um acto é definida em termos de suas consequências físicas para o agente. Se a acção é punida, está moralmente errada; se não for punida, está moralmente correcta. "A ordem sócio-moral é definida em termos de status de poder e de possessões ao invés de o ser em termos de igualdade e reciprocidade". Assim, frequentemente neste estágio se responde que o marido estava certo em roubar o remédio caso não tenha sido apanhado em flagrante e preso.
2º Estágio: O que ganho eu com isso?
Orientação “auto interesse ou hedonismo instrumental”.
A acção moralmente correcta é definida em termos do prazer ou da satisfação das necessidades da pessoa. A igualdade e a reciprocidade emergem como "olho por olho, dente por dente". Os sujeitos neste estágio podem dizer que um marido deve roubar para salvar a vida da mulher porque ele precisa dela para cozinhar, ou porque ele poderia vir a precisar que ela salvasse a vida dele, por exemplo.
2º Grupo. Convencional:
3º Estágio: bom moço, boa moça.
Orientação segundo “acordo interpessoal e conformidade”.
O comportamento moralmente certo é o que ganha a aprovação de outros. Trata-se da moralidade de conformismo a estereótipos, por exemplo: "É papel de todo bom marido salvar a vida da sua mulher". Há uma compreensão da regra "Faça aos outros aquilo que você gostaria que lhe fizessem", mas há dificuldade de uma pessoa se imaginar em dois papéis diferentes. Neste estágio, surge a concepção de equidade através da qual há a concordância de que é justo dar mais a uma pessoa mais desamparada.
4º Estágio: Moral, lei e ordem.
Orientação “manutenção da ordem social e da autoridade”.
Há grande respeito pela autoridade, por regras fixas e pela manutenção da ordem social. Deve-se cumprir o dever. A justiça não é mais uma questão de relações entre indivíduos, mas entre o indivíduo e o sistema. A justiça tem a ver com a ordem social estabelecida e não é uma questão de escolha pessoal moral. O estágio 4 é o mais frequente entre adultos. Neste estágio, mesmo quando respondem que o marido deve roubar o remédio, as pessoas enfatizam o carácter de excepção dessa medida e a importância de se respeitar a lei, para que a sociedade não se torne um caos.
3º Grupo: Pós convencional:
5º Estágio: Orientação “ contracto social”.
Este é o primeiro estágio que pertence ao nível pós-convencional. As leis não são mais consideradas válidas pelo mero fato de serem leis. O indivíduo admite que as leis ou costumes morais podem ser injustos e devem ser mudados. A mudança é buscada através dos canais legais e contratos democráticos. Neste estágio, os sujeitos geralmente trazem a ideia de que deveria haver uma lei proibindo o abuso do farmacêutico.
6º Estágio: Orientação “ princípios éticos sociais:
Neste estágio, o pensamento pós-convencional atinge seu nível mais alto. O indivíduo reconhece os princípios morais universais da consciência individual e age de acordo com eles. Se as leis injustas não puderem ser modificadas pelos canais democráticos, o indivíduo ainda resiste a elas. É a moralidade da desobediência civil, dos mártires e dos revolucionários, e de todos aqueles que permanecem fiéis a seus princípios ao invés de se conformarem com o poder estabelecido e com a autoridade.
O estudo do tema era feito pela análise de dilemas morais, um dos quais referido acima. Se bem me lembro trata-se de uma situação de um marido desempregado e cujo cônjuge enfrenta a morte caso não tome o remédio que o farmacêutico se recusa a fornecer a menos que seja imediatamente pago. O que deve ele fazer?

Agora, o passatempo para férias: Vamos situar os nossos políticos nestes níveis.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Descrição, utilização e instruções.

O estojo será constituído por: Uma pasta onde se encontra um conjunto de cartolinas escritas que se destinam a ser penduradas, uma folha de instruções e possivelmente um exemplar do regulamento interno.

Deverá ser inscrita no Regulamento Interno a obrigatoriedade da utilização deste instrumento em qualquer reunião. i.é., qualquer conversa entre dois ou mais professores.

Nas cartolinas, não mais de cinco, deverão estar escritas as seguintes frases:

Os alunos são indisciplinados e fazem muito barulho.
Os alunos não estudam e não estão com atenção.
Os professores exigem disciplina mas não têm poder para concretizar essa exigência.
Os castigos dependem da aprovação dos E.E.
Um aluno com necessidade de apoio é um aluno que se porta bem, tenta e não consegue.

Assim, o responsável pelo desenvolvimento da reunião deve:

1º) Requisitar um exemplar do estojo da realidade.
2º) Nomear no inicio da reunião um responsável pela sua correcta  utilização. Este docente poderá ser designado por exemplo, guardião da realidade.

O guardião seguirá escrupulosamente as instruções

Instruções
1º) Abrir.
2º) Pendurar em local visível de modo a que todos possam ler.
3º) Sempre que alguém quiser falar o guardião, indicando as cartolinas penduradas, dir-lhe-á: não te esqueças do que ias dizer mas primeiro lê isto em voz alta e se ainda fizer sentido, então fala.

O esboço

O meu contributo: O estojo da realidade.

Após a observação cuidada de reuniões em que participei, bem como de apresentações que foram feitas acerca dos mais variados assuntos, mas em particular as organizações aprendentes, a autoavaliação, a cultura da avaliação, esta é me muito cara, a pedagogia diferenciada e muitas outras…senti a necessidade quase compulsiva de, desorientando a minha bússola, perder o norte dos comportamentos anómalos que se observam nas aulas e não só deste jardim à beira mar plantado e contribuir para a melhoria desta organização aprendente, a escola, de modo a que se produza um ensino melhor. Não devia ser aprendizagem?
Então num daqueles momentos de verdadeira criatividade que me caracterizam, imaginei um instrumento verdadeiramente inovador: O estojo da realidade.
Comecei imediatamente a esboçar o dito e a sua utilização.

P&B a cores.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

João Aguiar

Há alguns dias ao folhear um jornal atrasado constatei que João Aguiar nos tinha deixado. A partir de agora só poderemos rever a sua obra.
Foi para mim, um dos escritores mais importantes das últimas décadas e fui leitor assíduo e apaixonado das suas crónicas denunciando os podres da nossa sociedade.
No seu livro “O Priorado do Cifrão” um dos personagens, Adriano, conversa com outro, Miguel, discorrendo acerca do que poderia classificar como os falsos paradigmas da modernidade: “ …a nova Idade das Trevas, que é como quem diz, da ignorância.” …………..”Dei como exemplo as criancinhas que deixaram de saber fazer contas por causa das calculadoras de bolso. Dei como exemplo o excesso de informação e o seu baixo nível.” “Você conhece o ditado: «Pouca cultura é pior que nenhuma.»”………..”Veja você a terrível vulnerabilidade das massas, a que os políticos chamam povo soberano quando querem dar graxa: mostra-se-lhes um livreco, um filme uma suposta reportagem televisiva e o pessoal acredita em tudo, abre a boca saloiamente e papa toda a trampa, mesmo que não haja a mínima seriedade, o mínimo rigor no material que lhe enfiam pelas gargantas abaixo. Também é verdade que, na sua grande maioria, as pessoas esquecem depressa, passam logo à próxima excitação, que é tão epidérmica como as anteriores.”
É uma crítica mordaz e oportuna que além de se aplicar à sociedade em geral descreve muito bem o que se passa em educação. Aliás é nas escolas que se está a formar o “povo soberano”.

domingo, 20 de junho de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

UMA AVENTURA NA ESCOLA

Era uma vez um país onde uma quadrilha indocente fazia mal aos pequenos que não se portavam bem nem estudavam impedindo a sua progressão.
Mas em seu socorro veio uma heroína resplandecente, senhora sorridente e partidária do diálogo desde que as conclusões sejam as dela, que logo interpõe entre uns e outros um exame cuja facilidade se começa a adivinhar.
Acho que é mais ou menos assim que o próximo titulo se vai desenvolver.

domingo, 13 de junho de 2010

O ESTADO DA EDUCAÇÃO EM PORTUGAL

Realizou-se no dia oito de Junho, no auditório José Saramago da Escola Secundária de Bocage, um debate sobre o estado da educação em Portugal.
Estiveram presentes os Professores Nuno Crato e Paulo Guinote. Por motivos alheios à sua vontade, o Professor Medina Carreira não pôde comparecer.
Na mesa, encontravam-se ainda a directora da Escola Secundária de Bocage, Maria José Miguel, e o dinamizador desta iniciativa e moderador do debate, João Paulo Maia, professor na mesma escola.
O moderador lançou como mote o facto de, na situação actual, parecer ser dada grande relevância à avaliação dos professores, em oposição à medição da aprendizagem dos alunos.
Nuno Crato considerou que a avaliação dos professores é importante, assim como a dos alunos, dos directores, das escolas e de todas as organizações. No entanto, é impossível avaliar os professores e não avaliar os alunos, para o que serão indispensáveis os exames. Não obstante, os exames quase não existem, pois para cerca de vinte disciplinas, no ensino básico, em nove anos, são efectuados apenas dois exames , que valem trinta por cento.
Estamos, por isso, a assistir a um abaixamento de nível de ano para ano e aproximamo-nos do ponto de não retorno.
Outro assunto referido foi a selecção de professores. Presentemente, muitos dos docentes mais velhos e experientes, cansados do ambiente que se vive na educação, estão a aposentar-se, o que leva à perda de referências. No processo que promove a sua substituição, o sistema não dá preferência aos candidatos mais bem preparados, pois o único critério de entrada na profissão tem em consideração a classificação, apenas, promovendo, assim, a frequência de cursos em instituições que atribuem as classificações mais elevadas . É urgente introduzir um exame de entrada na profissão que seleccione os melhores e que ponha em causa as instituições de formação de professores que mais facilitam.
Maria de Lurdes Rodrigues prometeu-o, mas não cumpriu. Isabel Alçada já está no ministério há tempo suficiente e ainda não o fez.
Seguiu-se no uso da palavra Paulo Guinote, que acerca do recente regime de excepção que, para os alunos do oitavo ano com idade superior a quinze anos que ficarem retidos, estabelece a possibilidade de efectuarem exames do nono ano de modo a poderem transitar para o décimo ano, referiu que os efeitos práticos desta medida serão quase nulos. No entanto, importa a mensagem que se transmite.
Nuno Crato acrescentou que, curiosamente, esta não é uma oportunidade que se dá aos bons alunos que eventualmente estejam em condições de saltar um ano. É uma oportunidade que se dá aos maus alunos, que, muito possivelmente, ao serem integrados numa turma do décimo, não conseguirão acompanhar as matérias leccionadas.
Paulo Guinote comentou ainda a falsa associação entre elitismo, avaliação, insucesso e exclusão usualmente usada pelos “teóricos” para criarem um sentimento de culpa nos professores.
Considerou que incluir a todo o custo, baixando o nível de preparação , redundará numa futura exclusão social. É com elitismo e exigência que se apetrecha o indivíduo para uma inclusão efectiva na sua vida adulta.
A assim designada educação para a cidadania está a revelar-se um processo falhado, já que a escolaridade de nove anos não significa a realização do nono ano, mas somente a permanência na escola durante nove anos.
Os resultados dos exames e provas de aferição têm vindo a ser mistificados através de mudanças de critérios e de exigência, pelo que os resultados alcançados ao longo do tempo não são comparáveis. Exemplificando, Paulo Guinote afirmou ter, este ano, verificado que, em cinquenta provas de aferição, metade dos alunos não soube ordenar por ordem alfabética seis palavras que começavam pela mesma letra. Aparentemente, à semelhança do que se passa com a tabuada na matemática, alguém decidiu que a memorização do alfabeto era uma sobrecarga para as pobres memórias e um anátema para a língua portuguesa.
No entanto, os defensores da progressão automática têm um discurso muito bem organizado e são especialistas em fazer com que quem defende a avaliação externa dos alunos se sinta mesquinho.
Trava-se uma autêntica guerra de desgaste, pois os professores que não aderem ao facilitismo vêem-se perante a desistência ou a aposentação.
Após as intervenções, seguiu-se um debate em que se referiu a conveniência de não confundir taxa de aprovação escolar, um instrumento administrativo, com sucesso escolar, construção real e efectiva do conhecimento, sendo necessário consciencializar e responsabilizar os encarregados de educação pelo comportamento e aproveitamento dos seus educandos.
Foi ainda referido que as ideias pedagógicas que tocam o absurdo podem não influenciar a prática pedagógica dos professores, mas que sem dúvida a desorganizam. Quanto aos relatórios P.I.S.A., muito citados pela tutela, é importante mencionar o deste ano, que mencionava que de nada serve aumentar o número de anos de escolaridade se não se melhorar a qualidade das aprendizagens.
Foi também abordado o tema dos mega agrupamentos e do gigantismo das nossas escolas, pois os países o fizeram já todos inverteram o processo, sendo a tendência actual a de escolas com cerca de meio milhar de alunos.
Tentei não atraiçoar o que se passou nesta sessão. Não sei se o consegui, mas interessa acima de tudo realçar que foi mais um momento alto em prol da educação com rigor, exigência e competência. Sem dúvida, uma demonstração de cidadania, empenho, intervenção e algum sacrifício que temos que agradecer e apoiar. Aliás, apoiar não, mas sim intervir, pois não podemos ser messiânicos e esperar que sejam os outros a travar as nossas guerras.
Assim, o nosso obrigado ao João Paulo Maia pela iniciativa, à Escola Secundária de Bocage pelo acolhimento e ao Nuno Crato e ao Paulo Guinote pela presença.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Não estamos sós.

Há muitos anos, quando era pequeno e já era preguiçoso, antes de adormecer sonhava acordado com uns extraterrestres que na sua exploração do universo aqui chegavam.
Pertenciam, claro, a uma civilização muito mais adiantada e tinham métodos para aprendermos tudo, sem esforço, enquanto dormíamos, de preferência, poupando-nos às dificuldades. Claro que não sonhava no plural mas sim no singular obtendo assim uma vantagem apreciável sobre o resto da humanidade.
Infelizmente a realidade foi bem diferente e cada vitória teve de ser obtida com esforço e perseverança prescindindo em muitos momentos do agradável e superando o desagradável.
Tornei-me céptico, e se bem que admitindo a possibilidade de existência de vida noutros pontos do universo, sempre pensei que mesmo havendo civilizações mais avançadas estas enfrentariam os mesmos desafios e as mesmas dificuldades que nós no que respeita à exploração espacial reduzindo a zero a probabilidade de encontros de terceiro grau.
Uma vez professor compreendi que, independentemente das matérias que leccionasse o principal era transmitir aos alunos a capacidade de fazer esforço, persistir e superar as dificuldades (o que não se faz sem muitos conteúdos).
Ainda me delicio, e já repeti, ao ver os filmes M.I.B.(Men in Black) I e II, em que uma organização secreta protege a terra dos extra terrestres ocultando a sua existência e recebendo muitos que vivem entre nós, uns gente vulgar, outros gente famosa e conhecida.
Mas, voltando à escola e à educação: Lógica de ciclo, retenção como excepção e progressão como regra, ensino centrado no aluno com responsabilização do professor pelo que o aluno não fez, plano de acompanhamento, plano de recuperação, prova de recuperação, estatuto do aluno, aprendizagem lúdica, trabalho colaborativo, plano anual de actividades, projecto educativo de escola, dossiê vs portfólio, cursos de educação e formação, cursos profissionais, , novas oportunidades, em poucos meses a certificação de vários anos, licenciaturas de aviário, universidades independentes e outras, escolas superiores de educação, roberto carneiro, ana benavente, maria de lurdes Rodrigues, valter lemos, jorge pedreira, Rowan Atkinson como ministro da educação não sei se no papel de Mr Bean ou de Black Adder, josé sócrates e muitos, muitos outros para os quais cometo uma injustiça ao esquecer-me deles….
Afinal, aqueles filmes, M.I.B. I e II não são ficção, são uma grande reportagem. Finalmente compreendi. Não. Não estamos sozinhos no universo!