sábado, 11 de dezembro de 2010

O O.G.E.

Assistimos durante muito tempo a discussões e declarações sobre o orçamento de estado. Não vale a pena transcreve-las. Todos assistiram.
Mas o que é que realmente se passa com o O.G.E.? o que é que representa realmente toda esta discussão? Os partidos estão a tentar resolver os problemas que criaram ao estado de que todos fazemos parte?
Chegámos a uma dívida colossal que não decidimos. Estão a tentar baixar o deficit para 4,6%? Então a dívida continua a crescer. Note-se que mesmo os 3% de que à muito tempo se falava como um pais bem comportado, discurso U.E. aumenta o deficit. Só é bem comportado e tem uma economia saudável um estado com deficit zero e balança de comércio com o exterior equilibrada e que não despreza nenhum sector produção.
A discussão do O.G.E. não tem sido mais que uma cortina de fumo para desviar a atenção do problema real que temos, os políticos e os seus amigos.
Na realidade o problema que se está a tentar resolver é o da manutenção no poder destes senhores, os mesmos que criaram o problema. Os mesmos que tentaram criar uma imagem de competência e obra feita à custa de dinheiro emprestado.
Enquanto os nossos líderes forem estes nada se vai resolver a não ser a vida deles e sem castigo e na maior das impunidades continuarão a desgastar o erário público em prol dos seus próprios feudos.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Capela de nossa Senhora dos Anjos, ao pé do Convento de Jesus, Setúbal.

Medidas de austeridade?

Não compreendo as medidas de austeridade, e o povo também não. Para que servem? Para os políticos, estes e os que os substituam, continuarem a contrair dividas para o estado.
Não são compreensíveis as medidas de austeridade se não forem acompanhadas de castigos, trabalhos forçados de preferência. Sem consequências os que se seguirem farão o mesmo.
Se não podem ser julgados pelo poder judicial porque foram eleitos pelo povo, então entreguem-se ao povo e constituam-se tribunais populares.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Um país moderno?

O senhor engenheiro quer um país moderno. Eu não!
A noção de modernidade do senhor engenheiro e dos restantes néscios que com falsas promessas e discursos politicamente correctos conquistaram o poder implica a bancarrota do estado, o desaparecimento da classe média e a miséria material e intelectual dos cidadãos.
Não. Eu não quero um país moderno. Eu quero um país próspero.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Os negócios continuam.

 Gostava de saber quem são e quantos são os administradores desta empresa.

domingo, 21 de novembro de 2010

Panem et circences.

Há muitos, muitos anos, iamos ao circo ver a mulher barbada, o homem mais alto do mundo e também o mais pequeno e outras aberrações que se destinavam a satisfazer a necessidade de bizarro do público em geral.
Agora, nos noticiários dão-nos conta de um individuo que deixou e escola aos dez anos voltando aos oitenta e tal anos, aproveitando as novas oportunidades para fazer num ano o nono ano e noutro o décimo segundo. De uma coisa não podemos ter dúvidas, a idade deu-lhe sabedoria.
Na falta de pão haja circo.
A expressão é “panis et circenses”, mas já na sua origem Juvenal empregou a forma acusativa “panem et circenses.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

sábado, 13 de novembro de 2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Estado.

Basta de falar no estado, não é o estado, são os políticos e os amigos…
Não são os funcionários públicos (que é a noção de estado do cidadão vulgar), mesmo os do topo da hierarquia, que fazem leis e tomam as decisões a longo prazo que tanto oneram o erário público.
Não são os funcionários públicos que decidem empreitadas de obras de utilidade duvidosa que custam o dobro ou o triplo do orçamento inicial.
Não são os funcionários públicos que introduzem os “amigos” da cor partidária no estado de cada vez que muda o partido no poder, ficando os anteriores na prateleira, quer a nível central como local.
Também não é a crise. As crises vão e vêem, deixam mais ou menos mazelas e sempre experiência e ensinamentos que resultam da consciência dos erros cometidos.
Não para os nossos políticos. A 3 de Setembro de 2010 a notícia era a sentença do julgamento “casa pia”, mas em nota de rodapé lia-se; Estados Unidos votam lei que dificulta a entrada de produtos estrangeiros. Ao que parece os campeões da liberalização já compreenderam as armadilhas da globalização com regras de produção muito diferentes.
A crise ajuda, mas o nosso problema é a dívida e são as causas desta que urge analisar.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

RESTAURAÇÃO

Vivemos numa república cada vez mais parecida com uma monarquia, embora sem monarca fixo, precisamente aquela cuja queda se comemora e se deu à cem anos.
Tornou-se num regime que premeia os que melhor batalham participando no saque e efectuando razias não contra o inimigo mas contra os aldeãos. Ou será que estes são o inimigo?
Os condados e ducados foram substituídos por institutos e fundações que em nome do povo o sugam alegremente. A espada foi substituída pela legislação, e com ela se furta na maior das legalidades.

domingo, 3 de outubro de 2010

SEDITIONE

Este é o ano, das comemorações do centenário da implantação da república.
Pretende-se enaltecer as virtudes desta e consequentemente as daqueles que a governam pois estes acreditam que o cargo confere a competência e que os vícios do indivíduo serão tomados por virtudes do governante.
Mas o que é que realmente se comemora?
Na realidade comemora-se a revolta e a sedição contra a legalidade instituída. Não nos esqueçamos que uma revolução é sempre um acto, por definição, ilegal. Vai contra a lei e substitui as instituições, e claro, as pessoas quase sempre votando algumas ao exílio.
Na génese de uma revolução encontramos sempre uma contradição ou pelo menos um dilema pois os fundamentos de uma revolução são os mesmos da que se lhe seguirá.
Tanto os revoltados como os apoiantes do poder consideram que a sua posição é a legitima.
Será que lei e legitimidade são sinónimos?
Aparentemente comemoramos um acto de cidadania contra a ilegitimidade da legalidade.

A NOVA PRAGA

Nos tempos bíblicos o senhor castigou o povo do Egipto com as pragas.
A nova praga dos tempos modernos está aí. É o castigo que merecemos pela nossa falta de intervenção ou melhor pela falta de revolta, aliás pela falta da sua concretização em actos de sedição.
A nova praga está aí. Está no governo e na administração local. Está nas instituições e nos institutos. Está nas empresas públicas e público privadas e de alguma forma em muitas privadas que o são menos do que deviam.
Ela suga-nos e culpa-nos a todos por partes embora afirme sempre que procura soluções e não culpados.
Antero de Quental já falava da canalhocracia. Penso que evoluímos, e muito, chegando finalmente no dealbar do século XXI a uma verdadeira escumalhocracia.

domingo, 12 de setembro de 2010

Também quero.

*A minha próxima vida*

Na minha próxima vida, quero viver de trás pra frente. Começar morto, para despachar logo o assunto. Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo. E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer. Por fim, passo nove meses flutuando num "spa" de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois - "Voilà!" - desapareço num orgasmo.



Woody Allen

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Não os conhecia.

Os Melech Mechaya. Brindaram-nos com bons momentos no CCB e o público pediu mais. Gostei muito.

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os......

Os "Melech Mechaya"

Os " Melech Mechaya"

Os "Melech Mechaya".

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Moral

Há muitos anos no quarto ano da faculdade no ramo educacional no seminário interdisciplinar abordámos os temas da educação pelos valores e a teoria do desenvolvimento moral, este segundo tema na perspectiva de Lawrence Kohlberg, “estudo do julgamento moral a partir da transgressão”.
Este pensador influenciado por Piaget criou uma estrutura de desenvolvimento moral organizada em três grupos e seis níveis com o objectivo de facilitar a análise comportamental dos indivíduos enquanto membros de uma sociedade.
Grosso modo temos:
1º Grupo. Pré convencional:
1º Estágio: Como posso evitar a punição.
Orientação “punição obediência”. Neste estágio, a moralidade de um acto é definida em termos de suas consequências físicas para o agente. Se a acção é punida, está moralmente errada; se não for punida, está moralmente correcta. "A ordem sócio-moral é definida em termos de status de poder e de possessões ao invés de o ser em termos de igualdade e reciprocidade". Assim, frequentemente neste estágio se responde que o marido estava certo em roubar o remédio caso não tenha sido apanhado em flagrante e preso.
2º Estágio: O que ganho eu com isso?
Orientação “auto interesse ou hedonismo instrumental”.
A acção moralmente correcta é definida em termos do prazer ou da satisfação das necessidades da pessoa. A igualdade e a reciprocidade emergem como "olho por olho, dente por dente". Os sujeitos neste estágio podem dizer que um marido deve roubar para salvar a vida da mulher porque ele precisa dela para cozinhar, ou porque ele poderia vir a precisar que ela salvasse a vida dele, por exemplo.
2º Grupo. Convencional:
3º Estágio: bom moço, boa moça.
Orientação segundo “acordo interpessoal e conformidade”.
O comportamento moralmente certo é o que ganha a aprovação de outros. Trata-se da moralidade de conformismo a estereótipos, por exemplo: "É papel de todo bom marido salvar a vida da sua mulher". Há uma compreensão da regra "Faça aos outros aquilo que você gostaria que lhe fizessem", mas há dificuldade de uma pessoa se imaginar em dois papéis diferentes. Neste estágio, surge a concepção de equidade através da qual há a concordância de que é justo dar mais a uma pessoa mais desamparada.
4º Estágio: Moral, lei e ordem.
Orientação “manutenção da ordem social e da autoridade”.
Há grande respeito pela autoridade, por regras fixas e pela manutenção da ordem social. Deve-se cumprir o dever. A justiça não é mais uma questão de relações entre indivíduos, mas entre o indivíduo e o sistema. A justiça tem a ver com a ordem social estabelecida e não é uma questão de escolha pessoal moral. O estágio 4 é o mais frequente entre adultos. Neste estágio, mesmo quando respondem que o marido deve roubar o remédio, as pessoas enfatizam o carácter de excepção dessa medida e a importância de se respeitar a lei, para que a sociedade não se torne um caos.
3º Grupo: Pós convencional:
5º Estágio: Orientação “ contracto social”.
Este é o primeiro estágio que pertence ao nível pós-convencional. As leis não são mais consideradas válidas pelo mero fato de serem leis. O indivíduo admite que as leis ou costumes morais podem ser injustos e devem ser mudados. A mudança é buscada através dos canais legais e contratos democráticos. Neste estágio, os sujeitos geralmente trazem a ideia de que deveria haver uma lei proibindo o abuso do farmacêutico.
6º Estágio: Orientação “ princípios éticos sociais:
Neste estágio, o pensamento pós-convencional atinge seu nível mais alto. O indivíduo reconhece os princípios morais universais da consciência individual e age de acordo com eles. Se as leis injustas não puderem ser modificadas pelos canais democráticos, o indivíduo ainda resiste a elas. É a moralidade da desobediência civil, dos mártires e dos revolucionários, e de todos aqueles que permanecem fiéis a seus princípios ao invés de se conformarem com o poder estabelecido e com a autoridade.
O estudo do tema era feito pela análise de dilemas morais, um dos quais referido acima. Se bem me lembro trata-se de uma situação de um marido desempregado e cujo cônjuge enfrenta a morte caso não tome o remédio que o farmacêutico se recusa a fornecer a menos que seja imediatamente pago. O que deve ele fazer?

Agora, o passatempo para férias: Vamos situar os nossos políticos nestes níveis.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Descrição, utilização e instruções.

O estojo será constituído por: Uma pasta onde se encontra um conjunto de cartolinas escritas que se destinam a ser penduradas, uma folha de instruções e possivelmente um exemplar do regulamento interno.

Deverá ser inscrita no Regulamento Interno a obrigatoriedade da utilização deste instrumento em qualquer reunião. i.é., qualquer conversa entre dois ou mais professores.

Nas cartolinas, não mais de cinco, deverão estar escritas as seguintes frases:

Os alunos são indisciplinados e fazem muito barulho.
Os alunos não estudam e não estão com atenção.
Os professores exigem disciplina mas não têm poder para concretizar essa exigência.
Os castigos dependem da aprovação dos E.E.
Um aluno com necessidade de apoio é um aluno que se porta bem, tenta e não consegue.

Assim, o responsável pelo desenvolvimento da reunião deve:

1º) Requisitar um exemplar do estojo da realidade.
2º) Nomear no inicio da reunião um responsável pela sua correcta  utilização. Este docente poderá ser designado por exemplo, guardião da realidade.

O guardião seguirá escrupulosamente as instruções

Instruções
1º) Abrir.
2º) Pendurar em local visível de modo a que todos possam ler.
3º) Sempre que alguém quiser falar o guardião, indicando as cartolinas penduradas, dir-lhe-á: não te esqueças do que ias dizer mas primeiro lê isto em voz alta e se ainda fizer sentido, então fala.

O esboço

O meu contributo: O estojo da realidade.

Após a observação cuidada de reuniões em que participei, bem como de apresentações que foram feitas acerca dos mais variados assuntos, mas em particular as organizações aprendentes, a autoavaliação, a cultura da avaliação, esta é me muito cara, a pedagogia diferenciada e muitas outras…senti a necessidade quase compulsiva de, desorientando a minha bússola, perder o norte dos comportamentos anómalos que se observam nas aulas e não só deste jardim à beira mar plantado e contribuir para a melhoria desta organização aprendente, a escola, de modo a que se produza um ensino melhor. Não devia ser aprendizagem?
Então num daqueles momentos de verdadeira criatividade que me caracterizam, imaginei um instrumento verdadeiramente inovador: O estojo da realidade.
Comecei imediatamente a esboçar o dito e a sua utilização.

P&B a cores.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

João Aguiar

Há alguns dias ao folhear um jornal atrasado constatei que João Aguiar nos tinha deixado. A partir de agora só poderemos rever a sua obra.
Foi para mim, um dos escritores mais importantes das últimas décadas e fui leitor assíduo e apaixonado das suas crónicas denunciando os podres da nossa sociedade.
No seu livro “O Priorado do Cifrão” um dos personagens, Adriano, conversa com outro, Miguel, discorrendo acerca do que poderia classificar como os falsos paradigmas da modernidade: “ …a nova Idade das Trevas, que é como quem diz, da ignorância.” …………..”Dei como exemplo as criancinhas que deixaram de saber fazer contas por causa das calculadoras de bolso. Dei como exemplo o excesso de informação e o seu baixo nível.” “Você conhece o ditado: «Pouca cultura é pior que nenhuma.»”………..”Veja você a terrível vulnerabilidade das massas, a que os políticos chamam povo soberano quando querem dar graxa: mostra-se-lhes um livreco, um filme uma suposta reportagem televisiva e o pessoal acredita em tudo, abre a boca saloiamente e papa toda a trampa, mesmo que não haja a mínima seriedade, o mínimo rigor no material que lhe enfiam pelas gargantas abaixo. Também é verdade que, na sua grande maioria, as pessoas esquecem depressa, passam logo à próxima excitação, que é tão epidérmica como as anteriores.”
É uma crítica mordaz e oportuna que além de se aplicar à sociedade em geral descreve muito bem o que se passa em educação. Aliás é nas escolas que se está a formar o “povo soberano”.

domingo, 20 de junho de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

UMA AVENTURA NA ESCOLA

Era uma vez um país onde uma quadrilha indocente fazia mal aos pequenos que não se portavam bem nem estudavam impedindo a sua progressão.
Mas em seu socorro veio uma heroína resplandecente, senhora sorridente e partidária do diálogo desde que as conclusões sejam as dela, que logo interpõe entre uns e outros um exame cuja facilidade se começa a adivinhar.
Acho que é mais ou menos assim que o próximo titulo se vai desenvolver.

domingo, 13 de junho de 2010

O ESTADO DA EDUCAÇÃO EM PORTUGAL

Realizou-se no dia oito de Junho, no auditório José Saramago da Escola Secundária de Bocage, um debate sobre o estado da educação em Portugal.
Estiveram presentes os Professores Nuno Crato e Paulo Guinote. Por motivos alheios à sua vontade, o Professor Medina Carreira não pôde comparecer.
Na mesa, encontravam-se ainda a directora da Escola Secundária de Bocage, Maria José Miguel, e o dinamizador desta iniciativa e moderador do debate, João Paulo Maia, professor na mesma escola.
O moderador lançou como mote o facto de, na situação actual, parecer ser dada grande relevância à avaliação dos professores, em oposição à medição da aprendizagem dos alunos.
Nuno Crato considerou que a avaliação dos professores é importante, assim como a dos alunos, dos directores, das escolas e de todas as organizações. No entanto, é impossível avaliar os professores e não avaliar os alunos, para o que serão indispensáveis os exames. Não obstante, os exames quase não existem, pois para cerca de vinte disciplinas, no ensino básico, em nove anos, são efectuados apenas dois exames , que valem trinta por cento.
Estamos, por isso, a assistir a um abaixamento de nível de ano para ano e aproximamo-nos do ponto de não retorno.
Outro assunto referido foi a selecção de professores. Presentemente, muitos dos docentes mais velhos e experientes, cansados do ambiente que se vive na educação, estão a aposentar-se, o que leva à perda de referências. No processo que promove a sua substituição, o sistema não dá preferência aos candidatos mais bem preparados, pois o único critério de entrada na profissão tem em consideração a classificação, apenas, promovendo, assim, a frequência de cursos em instituições que atribuem as classificações mais elevadas . É urgente introduzir um exame de entrada na profissão que seleccione os melhores e que ponha em causa as instituições de formação de professores que mais facilitam.
Maria de Lurdes Rodrigues prometeu-o, mas não cumpriu. Isabel Alçada já está no ministério há tempo suficiente e ainda não o fez.
Seguiu-se no uso da palavra Paulo Guinote, que acerca do recente regime de excepção que, para os alunos do oitavo ano com idade superior a quinze anos que ficarem retidos, estabelece a possibilidade de efectuarem exames do nono ano de modo a poderem transitar para o décimo ano, referiu que os efeitos práticos desta medida serão quase nulos. No entanto, importa a mensagem que se transmite.
Nuno Crato acrescentou que, curiosamente, esta não é uma oportunidade que se dá aos bons alunos que eventualmente estejam em condições de saltar um ano. É uma oportunidade que se dá aos maus alunos, que, muito possivelmente, ao serem integrados numa turma do décimo, não conseguirão acompanhar as matérias leccionadas.
Paulo Guinote comentou ainda a falsa associação entre elitismo, avaliação, insucesso e exclusão usualmente usada pelos “teóricos” para criarem um sentimento de culpa nos professores.
Considerou que incluir a todo o custo, baixando o nível de preparação , redundará numa futura exclusão social. É com elitismo e exigência que se apetrecha o indivíduo para uma inclusão efectiva na sua vida adulta.
A assim designada educação para a cidadania está a revelar-se um processo falhado, já que a escolaridade de nove anos não significa a realização do nono ano, mas somente a permanência na escola durante nove anos.
Os resultados dos exames e provas de aferição têm vindo a ser mistificados através de mudanças de critérios e de exigência, pelo que os resultados alcançados ao longo do tempo não são comparáveis. Exemplificando, Paulo Guinote afirmou ter, este ano, verificado que, em cinquenta provas de aferição, metade dos alunos não soube ordenar por ordem alfabética seis palavras que começavam pela mesma letra. Aparentemente, à semelhança do que se passa com a tabuada na matemática, alguém decidiu que a memorização do alfabeto era uma sobrecarga para as pobres memórias e um anátema para a língua portuguesa.
No entanto, os defensores da progressão automática têm um discurso muito bem organizado e são especialistas em fazer com que quem defende a avaliação externa dos alunos se sinta mesquinho.
Trava-se uma autêntica guerra de desgaste, pois os professores que não aderem ao facilitismo vêem-se perante a desistência ou a aposentação.
Após as intervenções, seguiu-se um debate em que se referiu a conveniência de não confundir taxa de aprovação escolar, um instrumento administrativo, com sucesso escolar, construção real e efectiva do conhecimento, sendo necessário consciencializar e responsabilizar os encarregados de educação pelo comportamento e aproveitamento dos seus educandos.
Foi ainda referido que as ideias pedagógicas que tocam o absurdo podem não influenciar a prática pedagógica dos professores, mas que sem dúvida a desorganizam. Quanto aos relatórios P.I.S.A., muito citados pela tutela, é importante mencionar o deste ano, que mencionava que de nada serve aumentar o número de anos de escolaridade se não se melhorar a qualidade das aprendizagens.
Foi também abordado o tema dos mega agrupamentos e do gigantismo das nossas escolas, pois os países o fizeram já todos inverteram o processo, sendo a tendência actual a de escolas com cerca de meio milhar de alunos.
Tentei não atraiçoar o que se passou nesta sessão. Não sei se o consegui, mas interessa acima de tudo realçar que foi mais um momento alto em prol da educação com rigor, exigência e competência. Sem dúvida, uma demonstração de cidadania, empenho, intervenção e algum sacrifício que temos que agradecer e apoiar. Aliás, apoiar não, mas sim intervir, pois não podemos ser messiânicos e esperar que sejam os outros a travar as nossas guerras.
Assim, o nosso obrigado ao João Paulo Maia pela iniciativa, à Escola Secundária de Bocage pelo acolhimento e ao Nuno Crato e ao Paulo Guinote pela presença.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Não estamos sós.

Há muitos anos, quando era pequeno e já era preguiçoso, antes de adormecer sonhava acordado com uns extraterrestres que na sua exploração do universo aqui chegavam.
Pertenciam, claro, a uma civilização muito mais adiantada e tinham métodos para aprendermos tudo, sem esforço, enquanto dormíamos, de preferência, poupando-nos às dificuldades. Claro que não sonhava no plural mas sim no singular obtendo assim uma vantagem apreciável sobre o resto da humanidade.
Infelizmente a realidade foi bem diferente e cada vitória teve de ser obtida com esforço e perseverança prescindindo em muitos momentos do agradável e superando o desagradável.
Tornei-me céptico, e se bem que admitindo a possibilidade de existência de vida noutros pontos do universo, sempre pensei que mesmo havendo civilizações mais avançadas estas enfrentariam os mesmos desafios e as mesmas dificuldades que nós no que respeita à exploração espacial reduzindo a zero a probabilidade de encontros de terceiro grau.
Uma vez professor compreendi que, independentemente das matérias que leccionasse o principal era transmitir aos alunos a capacidade de fazer esforço, persistir e superar as dificuldades (o que não se faz sem muitos conteúdos).
Ainda me delicio, e já repeti, ao ver os filmes M.I.B.(Men in Black) I e II, em que uma organização secreta protege a terra dos extra terrestres ocultando a sua existência e recebendo muitos que vivem entre nós, uns gente vulgar, outros gente famosa e conhecida.
Mas, voltando à escola e à educação: Lógica de ciclo, retenção como excepção e progressão como regra, ensino centrado no aluno com responsabilização do professor pelo que o aluno não fez, plano de acompanhamento, plano de recuperação, prova de recuperação, estatuto do aluno, aprendizagem lúdica, trabalho colaborativo, plano anual de actividades, projecto educativo de escola, dossiê vs portfólio, cursos de educação e formação, cursos profissionais, , novas oportunidades, em poucos meses a certificação de vários anos, licenciaturas de aviário, universidades independentes e outras, escolas superiores de educação, roberto carneiro, ana benavente, maria de lurdes Rodrigues, valter lemos, jorge pedreira, Rowan Atkinson como ministro da educação não sei se no papel de Mr Bean ou de Black Adder, josé sócrates e muitos, muitos outros para os quais cometo uma injustiça ao esquecer-me deles….
Afinal, aqueles filmes, M.I.B. I e II não são ficção, são uma grande reportagem. Finalmente compreendi. Não. Não estamos sozinhos no universo!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Pupilo do Exército.

Corrupção? Sim!

Há tempos em conversa com um amigo falando de corrupção distinguíamos a grande corrupção da pequena, a praticada em altas instâncias e envolvendo grandes verbas e aquela mais local muitas vezes apenas desbloqueadora da resolução de problemas, a primeira mais rara, a segunda mais generalizada.
Defendia o meu amigo que a generalização da “prenda” criava uma cultura de desculpabilização para com a alta corrupção.
Como atacar o problema? Por baixo? Ou por cima? Tentando não se sabe com que meios impedir e castigar milhares e milhares de pequenos casos enquanto os grandes se arrastam em tribunal durante anos e acabam arquivados e sem culpados a não ser talvez os denunciantes? Ou criando legislação efectiva e atacando eficazmente os grandes?
É nestes assuntos que o exemplo conta e não me parece que sem resolver a grande corrupção possa ser possível fazer desaparecer de vez a cultura da prenda.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Com António Barreto

Corrupção? Não!

Domingos Névoa (DN), empresário, oferece dinheiro a um vereador da Câmara Municipal de Lisboa para que este influencie determinada decisão.
Como o vereador não tem poder para o que lhe é pedido o tribunal decide que não há corrupção e DN é absolvido.
Se o fulano A entrar numa dependência bancária e a tentar assaltar mas por azar esta não tiver dinheiro porque vai entrar em obras tudo bem porque não chegou a efectuar o roubo, enganou-se na dependência.
Bela justiça a nossa. E belo combate à corrupção.
Mas….estou a ser injusto. As câmaras vão ter de elaborar um plano anti-corrupção. Nem vai alguma vez ser necessário no futuro chegar a tribunal.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

domingo, 2 de maio de 2010

O Plano\nclinado

...soma e segue. Ontem com o convidado Guilherme Valente de quem transcrevi neste blog o artigo, " A lei da escola segundo o eduquês."no dia 23 de abril. Ainda não disponivel.

Para quem não viu, o Plano\nclinado de 24 04 com o convidado Paulo Guinote.

sábado, 1 de maio de 2010

Furta-se legislando.

Chegámos a um ponto de tão baixa qualidade nos actores políticos que estes interpretam as vitórias eleitorais como uma conquista do poder de um ponto de vista absolutamente medieval.
Em vez de interpretarem os resultados eleitorais e em especial a maioria absoluta como um mandato para cumprir as promessas, com que obtiveram o voto, durante o seu período de governação vêem-se como monarcas absolutos.
As campanhas eleitorais foram batalhas travadas com todos os ardis da guerra e sem qualquer sentido ético. Uma vez conquistado o poder, não pela competência para o exercer mas pela manha, é chegado o momento de o usufruir e premiar os companheiros de armas distribuindo condados e ducados criados à custa do erário público.
Finalmente neste século XXI foi descoberta derradeira forma de furto: Furta-se legislando. É eficaz e absolutamente legal.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O ataque às corporações.

Numa conversa com um amigo de longa data ouvi que apesar das sucessivas tentativas de remodelação de sectores públicos como a educação, a saúde ou a justiça a eficácia da resistência das respectivas “corporações” anulava qualquer tentativa de pôr as coisas nos eixos.
Salazar ri-se na tumba. Conseguiu um estado corporativo que a revolução não anulou.
Concordei embora com alguma reserva talvez corporativa quem sabe. As mudanças são sempre difíceis e suscitam resistência, concordo.
No entanto o assunto ficou-me na cabeça.
Mas realmente o que é que se passa?
O “ataque às corporações deve constituir em cada uma delas uma revolução, “REVOLUTIO”, no bom sentido, isto é, mudar e substituir por algo melhor. Uma nova ordem sim, mas melhor.
Obedecendo aos três pontos referidos na publicação anterior “Apontamentos de Cultura Clássica”.
Ora poucos são capazes de conceber algo que realmente substitua para melhor.
Aliás há vinte ou mais anos que em educação e noutros campos se confunde mudança com inovação. Vive-se na crença de que tudo o que é tradição está errado e deve ser substituído por um qualquer modelo pseudo cientifico quase sempre baseado em estatísticas.
Mas voltemos às corporações.
Os recentes ataques a estas, leia-se classes profissionais, não constitui uma “revolutio”, não apenas por falta de capacidade dos seus mentores mas porque esse não é o seu objectivo.
Sob a capa de inovação pretende-se mudar, sim, mas apenas para distrair a atenção do público criando bodes expiatórios para apenas encobrir as asneiras e aldrabices de uma nova casta, leia-se CORPORAÇÃO, a dos dirigentes políticos que nunca tiveram outra actividade, pelo menos exercida com mestria.
A sua única ocupação e o seu único emprego é a politica. Não são bons professores, advogados, engenheiros ou economistas.
Tiraram um cursozeco, ou melhor arranjaram um diploma numa qualquer universidade de décima categoria, e há várias por aí, e a sua experiência é politico partidária.
Não são ministros ou secretários de estado por um tempo limitado e por dedicação à causa pública, são-no por uma questão de sobrevivência e põem a função pública não ao serviço do estado ou da nação mas ao seu serviço e da sua carreira.

E ficou....

sábado, 24 de abril de 2010

REVOLUTIO

CULTURA CLÁSSICA

Padre Manuel Antunes, Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa

17 de Janeiro de 1972

Politologia: Este termo designa uma ciência com três aspectos distintos.

1- Analisa os factos políticos e as leis que regem esses mesmos factos (Empiria).
2- Como Filosofia Politica analisa a essência, a significação e o sentido da organização e do poder político.
3- Como metafísica política analisa a essência, significação e o sentido do poder politico em relação à transcendência.
No tempo de Augusto tentava-se justificar a “Revolução Romana”. Contudo interessa-nos definir o conceito de REVOLUÇÃO no seu duplo aspecto de génese e evolução do conceito, e de estrutura.
REVOLUÇÃO deriva de REVOLUTIO do verbo revolvere, revolver.
Até Copérnico, o termo “revolutio” era quase exclusivamente empregue em astronomia, e servia para designar o movimento dos planetas.
Durante o renascimento a palavra começa a ter uso nas pequenas repúblicas italianas para designar mudanças, por vezes radicais, que ocorrem nessas repúblicas.
No século XVII, o termo vai designar as mudanças ocorridas nos grandes estados, especialmente na Inglaterra (1648 e 1688). No século XIX o vocábulo quase só se usa na ciência política e na Filosofia Politica. É no século XX que REVOLUTIO, (revolução) atinge extraordinária amplitude.
A “Revolução” implica em si mesma e por si mesma, fundamentalmente, uma transformação pela base em qualquer campo da realidade transmutável.
Em primeiro lugar, e no que diz respeito à politica, uma revolução não é um simples golpe de estado. Em segundo lugar não é um simples “pronunciamento”. Terceiramente, não é uma simples revolta. Por último, não é uma insurreição.
Revolução, no campo político e social, é uma transformação radical que implica:
1- Um projecto de alteração pela base do regime ou da ordem vigente.
2- São necessários meios para realizar essa alteração: Ideologia, força e um programa.
3- Uma organização em instituições adequadas.

E claro, está implícita nestes três enunciados a noção de qualidade num sentido de melhor e não no sentido neutro que muito se usa actualmente quando se quer iludir.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A lei da escola segundo o eduquês

Não resisto a transcrever este artigo da autoria de Guilherme Valente e publicado, se não me engano, no dia 20 de Abril de 2010 no Público.


“1. Contra o silêncio e a indiferença, é preciso dizer que as duas mortes agora acontecidas são extremos dramáticos, picos na violência que cresce em muitas escolas públicas. Mas nem estes casos extremos obrigaram o eduquês a mudar o discurso:
No caso do docente de Sintra, a DREL terá colocado psicólogos na turma em causa “ com medo de que haja um sentimento de culpa”. E não deveria haver? Não é esse o único sentimento aceitável, o mínimo que na circunstância se deve esperar? Não deve esse sentimento ser mesmo suscitado em todos aqueles jovens e nos responsáveis da escola e do ministério? Ou a escola deixou de ser, de repente, a tão badalada “comunidade educativa”?
Trata-se de jovens que são na sua generalidade bons alunos e que não podem transportar na sua vida uma situação de culpa que os pode vir a condicionar pela negativa”, disseram.
Nem mesmo a morte obriga o eduquês a pôr a mão na consciência. Ou será que estas mortes devem ser atribuídas à natureza?
2. Também Daniel Sampaio (D.S.) escreveu o inimaginável sobre o assunto (Pública do dia 14 de Março).
Apesar de conhecermos as suas ideias, lemos com perplexidade o que seguramente terá indignado a generalidade dos pais que diariamente são obrigados a deixar os filhos nas escolas públicas e dos professores que nelas resistem ao intolerável.
“Querer uma escola controlada pela polícia [quem é que alguma vez defendeu isso?] em que ninguém possa desobedecer ou contestar as regras, é acabar de vez [pasme-se!] com esse território de liberdade segura que caracteriza o nosso sistema educativo (…)”.
Mas vale a pena continuar a citar D.S.: “É que há em todas as escolas comportamentos que podem ser considerados violentos, mas que não são bullying [ cabe ao especialista, portanto, dizer se é dor a dor que eu sinto – meu Deus!]: a escola reproduz a sociedade [a escola do eduquês sim, até agrava mesmo o pior da sociedade; a boa escola que queremos, pelo contrário, enfrentaria o que na sociedade não é desejável] e esta não é serena [serena?], por isso são frequentes as piadas, as troças e até um insulto passageiro ou um empurrão, sem que isso seja muito grave.”
Passaria por humor, não fosse experiência de medo de tantos jovens, a preocupação de tantos pais, o receio de tantos professores, relatados todos os dias pela comunicação social. Gostaria de saber em que escola estudaram os filhos de D.S.
E, a seguir, D.S. prescreve a receita fácil para o caos…que também ele próprio, porventura sem se aperceber, tem ajudado a instalar.
Eu sei que o psicólogo é D.S., mas desta vez sou eu a fazer o diagnóstico: continuamos perante uma estranha dificuldade do homem inteligente que é em ver a realidade. Quanto à cura, sinceramente, gostaria de não perder a esperança de boas notícias.
3. Estes textos, chocantes, nas circunstâncias quase pornográficos, são, como outros tantos do mesmo teor, exemplos reveladores: o eduquês gosta da indisciplina, e, assim, vai encorajando a sua manifestação.
E assim vão fazendo o seu tricot teórico os mais ou menos discretos companheiros de jornada do eduquês, ajudando, voluntária ou ingenuamente, a impor à escola má que todos os dias atira para a ignorância, a desqualificação, o abandono e a exclusão gerações e gerações de crianças dos estratos sociais mais desfavorecidos, agravando assustadoramente as desigualdades, privando-as do ascensor cultural e social único que um bom ensino público – condição da sociedade civil – seria para elas.
Quem disse ser preciso mito tempo para se verificar o resultado do que se faz na educação?
Acolhidas e cultivadas na escola do eduquês, a ignorância e a violência explodem na sociedade. Mas não era isso o que o eduquês pretendia?” Editor da Gradiva

Os interesses dos menores.

Há quem pense que os interesses dos educandos são os seus interesses imediatos. Nada mais errado em educação. São os adultos que definem os interesses dos menores e os verdadeiros interesses não são imediatos.
Aliás uma das principais tarefas do educador consiste em proteger o menor das suas próprias decisões.

terça-feira, 20 de abril de 2010

As árvores morrem de pé.


Estatuto do aluno?

Indisciplina, bullying e desresponsabilização. Parece que vem aí um novo estatuto do aluno. Espero estar enganado mas não prevejo nada a não ser papel para os professores preencherem.
E sobre isto, há algum tempo ao falar com um antigo representante dos Encarregados de Educação no Conselho Pedagógico ouvi o que é lógico: “Estatuto do aluno? Mas o que é isto? Assim não vamos a lado nenhum. Aluno não tem de ter estatuto tem de obedecer.” Foram as palavras deste E.E. Sábias por sinal.

sábado, 17 de abril de 2010

Os objectivos

Diário de Noticias de 15/04/2010 Secção: País, pág. 18

Imposição de mínimo de multas pode ser inconstitucional.

….A dúvida é levantada por Jorge Bacelar Gouveia, constitucionalista e ex-presidente do Observatório de Segurança Interna, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT).
“ A constituição consagra que qualquer pessoa tem direito à progressão na carreira através de factores que dependam dele e do seu trabalho. Querer avaliar um polícia pelo número de multas ou de detenções que efectua levanta-me dúvidas acerca da constitucionalidade da medida porque realizar ou não os objectivos definidos não depende dele mas do comportamento de terceiros. E se não houver carros mal estacionados ou ninguém roubar? Ele é castigado porque as pessoas se portam bem?" Questiona este catedrático de direito e deputado do PSD.
Bem. No caso dos professores querem castigar-nos por os miúdos se portarem mal.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Praça de Portugal em Setúbal


Pensamento

Estamos num país em que Rowan Atkinson, ou um seu sósia, foi ministro de educação. Não sei se no papel de Mr. Bean ou de Black Adder.

Definição 2

Estudante: Aquele que estuda, que observa os comportamentos apropriados na sala de aula e cumpre as suas obrigações escolares com perseverança e empenho.

Definição 1

Aluno: Estatuto administrativo adquirido pelo individuo que é matriculado num qualquer estabelecimento de ensino.

sábado, 3 de abril de 2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

Pérola 2

Há quem diga que um professor só ensina se os alunos aprendem.
Neste e em muitos outros enunciados de cariz pseudo pedagógico a palavra aluno tem de ser substituída pelo termo estudante.

Praça de Portugal em Setúbal


terça-feira, 30 de março de 2010

Pérola 1

Há quem diga que um aluno assíduo não pode ter zero, tem que ter pelo menos um valor na classificação do período. Quem diz isto parte do pressuposto que a assiduidade é sempre um bem.
Mas se o aluno se limita a estar presente e a conversar perturbando os outros a sua assiduidade passa a ser um elemento negativo no desenvolvimento das actividades na sala de aula.
Então também acho que o aluno não deve ter zero deve antes ter menos um ou menos dois….
Note-se que se só for um aluno a perturbar é fácil mandá-lo para o GID, mas se forem muitos este gabinete não tem capacidade de resposta.

sábado, 27 de março de 2010

O Paulinha, no Moinho de Maré da mourisca em Setúbal


Indisciplina, GOD, GID, etc...

Na tentativa de lidar com a indisciplina criaram-se algumas estruturas nas escolas, GOD (Gabinete de Orientação Disciplinar) e GID (Gabinete de Intervenção Disciplinar), na minha escola, são algumas das designações.
Quando a situação na sala de aula azeda, o infractor deve ser para lá encaminhado para que se possa trabalhar na aula.
Pretendem as hierarquias que o professor que envia o aluno lhe prescreva um trabalho para este efectuar no GID.
Este é na realidade um entrave à utilização deste recurso pois obriga o professor centrar-se na tarefa que vai atribuir ao aluno infractor em detrimento do resto da turma. Note-se que o facto de aquele aluno ser expulso significa apenas que deu mais nas vistas e não que era o único a portar-se mal.
Outro problema prende-se com o facto de esta estrutura não ter capacidade para lidar com muitos alunos e quando nenhum sobressai é quase impossível para o professor escolher um para expulsar servindo de exemplo.
Mas o maior entrave à eficácia da luta com a indisciplina neste âmbito prende-se com a afirmação de que o GID deve constituir a excepção e não deve ser banalizado.
Se um aluno está insuportável vai para o GID, se dez alunos estiverem insuportáveis vai-se banalizar o GID.
O que está banalizado nestes tempos são os comportamentos inadequados que a ele conduzem e é para tentar acabar com isso que se criaram estas estruturas.

sábado, 20 de março de 2010

sexta-feira, 19 de março de 2010

Pedagogia diferenciada e turmas de nível.

Então vamos supor que um professor tem 4 turmas razoavelmente heterogéneas com 3 casos diferentes em cada turma a necessitarem de diferenciação pedagógica. Será necessário produzir para cada turma a duas aulas por semana 16 propostas de trabalho diferentes o que não me parece de todo exequível.
Para que se possa aplicar pedagogia diferenciada onde ela seja necessária e indicada será necessário aliviar nalgum lado e parece-me linear que não podemos instituir como regra o que deve ser pontual visto que trabalhamos com turmas e não individualmente.
Defendo que dentro do possível devem ser constituídas turmas de nível diminuindo a multiplicação de esforços.
Foi-me dito que esta estratégia tinha um efeito secundário, o de influenciar negativamente as aprendizagens por diminuir as expectativas dos professores relativamente às turmas que à partida se considerariam mais fracas.
Parece-me uma fraca opinião acerca dos professores. Quando se constituem turmas de nível com base no prévio conhecimento dos alunos não se estão a formar falsas expectativas, está-se apenas a lidar com a realidade para melhor poder ultrapassar as dificuldades.

Carvalhal, Fundão


terça-feira, 16 de março de 2010

Os culpados

Há quatro anos as chefias do M.E. faziam reuniões com os elementos dos Conselhos Executivos das escolas para darem a conhecer o Admirável Mundo Novo que traziam para a área da educação.
O presidente do Conselho Executivo da minha escola tentava, nas sessões do Conselho Pedagógico, fazer um relato o mais fiel possível das boas novas que iriam revolucionar a educação.
m.l.r. tinha anunciado com um ar condescendente, “ não procuramos culpados mas sim soluções”, sossegando assim a classe docente. Perdão! Eu disse sossegando? Bem devia dizer ludibriando a classe docente que por sinal até se presta a isso.
Não foram os professores nas escolas que decidiram extinguir o antigo ensino técnico que deveria ter evoluído no tempo de modo a fornecer alternativas.
Não foram os professores que substituíram a palmada pedagógica pelo psicólogo ou pelo psiquiatra, paralisando a acção educativa de quem tem poder para ser educador: O encarregado de educação.
Se os culpados pela actual situação do sistema educativo fossem os professores, já teria começado a caça às bruxas e a pandilha ministerial não se ficaria por, há maus resultados? É preciso mais formação para os professores! É preciso avaliar os professores! Etc.
Não. Os culpados estão lá em cima e não querem assumir os erros.

Iate


Inovação ou conformismo?

No meu tempo era…..
Esqueça o passado. Já não é assim, a sociedade mudou e a escola também. Temos novos problemas e precisamos de novas estratégias, de inovar.
Curiosamente na frase anterior o verdadeiro apelo que é feito não é à mudança e à inovação mas sim ao conformismo e ao imobilismo.
A escola e a sociedade mudaram, é uma realidade, mas não do mesmo tipo de “ o clima está a mudar”. Nesta última frase sugere-se inevitabilidade e a nossa incapacidade de contrariar essas mudanças devendo adaptarmo-nos às novas condições.
No que respeita às mudanças sociais sabemos que muitas são consequência de tomadas de decisão erradas por pessoas bem identificadas.
Inovar, nos tempos que correm, não é utilizar computadores nas aulas, é corrigir o mal que essas decisões criaram e se possível castigar os culpados.
É nos pedido que inovemos e arranjemos novas estratégias enquadrados num contexto absolutamente absurdo que, este sim, tem de ser mudado. Não nos iludemos, há coisas que têm de voltar atrás.

domingo, 14 de março de 2010

Cerejeiras em flor IV


Cerejeiras em flor III


Cerejeiras em flor II


Cerejeiras em flor na Beira Baixa, Fundão.


Competências vs conteúdos.

Sento-me, ligo o computador e após alguns minutos navego no ciberespaço, consulto a wikipédia, faço buscas por nome no Google.
Esta facilidade e rapidez na obtenção de informação factual tem levado á progressiva desvalorização dos conteúdos nas actividades escolares valorizando os processos e as apresentações em suporte digital.
A aquisição de conhecimentos, a memorização e mesmo os exercícios repetitivos para consolidação de processos tornaram-se um anátema a menos que “contextualizados.
O livro perde importância e vai sendo substituído pela internet e entoam-se loas às competências.
É um caminho errado, pois a maior parte da informação que circula no ciberespaço é superficial ou errada e não validada.
Esta possibilidade de obter quantidades massivas de informação de um modo quase imediato faz com que seja uma prioridade da escola, ou melhor, a prioridade da escola fornecer aos indivíduos os meios para separar o trigo do joio, e para isso é absolutamente necessário voltar a dar ênfase aos conteúdos devidamente validados e bem assimilados pois esse é o único modo de escapar ao lixo que a informação “on line” nos fornece.

Quinta em Setúbal, onde agora é o Colégio do Centeio.


sexta-feira, 12 de março de 2010

A palmada pedagógica.

Tenho vários passatempos sendo um deles a observação da natureza. Há uns tempos observava, no estuário do Sado, as andorinhas do mar, Sterna albifrons, e as suas crias.
Trata-se de uma das espécies que nidificam no solo e confiam na camuflagem para enganar os predadores.
Para os ovos camuflagem e para as crias camuflagem e imobilidade absoluta, a escassos metros a cria parece uma pequena pedra como muitas outras.
Tinha localizado um casal e três crias, três pequenos seixos apesar de estar a utilizar binóculos. Os pais levantaram voo e foram à procura de alimento deixando os petizes a fazer o seu papel. Mas…., a juventude! As crias começam a crescer e precisam de aprender, explorar e preparar-se para a vida. Então os três seixos mexeram-se, levantaram-se e começaram a estudar o meio envolvente.
Em pouco tempo um dos progenitores regressou com uma atitude preocupada e com algumas bicadas pedagógicas remeteu os petizes à imobilidade. Não. Ainda não tinha chegado o dia em que podiam estudar lições mais avançadas.
A palmada pedagógica está presente no comportamento de todas as espécies cujo desenvolvimento exige aprendizagem.

Cria de andorinha do mar.


Cria de andorinha do mar.


Ninho de andorinha do mar.


Pedagogia Diferenciada.

Hoje na minha escola realizou-se uma sessão de trabalho sobre diferenciação pedagógica. Finalmente ouvi o que já tinha retirado dos escritos que já li acerca do assunto.
À questão relativa às condições de aplicação da pedagogia diferenciada em sala de aula: É para alunos que observam os comportamentos adequados na sala de aula e têm dificuldades ou serve para resolver problemas disciplinares?
A resposta da formadora: Tudo o que aqui vamos discutir assenta no pressuposto de que os alunos destinatários querem trabalhar.

quinta-feira, 11 de março de 2010

quarta-feira, 10 de março de 2010

Bullying

Um rapaz vítima de bullying na escola atira-se ao rio. Pelas notícias que leio nos jornais fico a saber que a direcção da escola ainda não estabeleceu qualquer contacto com os pais, o que a confirmar-se parece estranho. Ficamos ainda a saber que a família pretende processar a escola porque esta devia prevenir. Finalmente a ministra de educação lembra que em 2009 foi criado o Gabinete de Segurança Escolar que coordena 585 vigilantes que estão diariamente na escola.
Há em Portugal à volta de mil escolas de segundo e terceiro ciclos e secundárias que funcionam das oito e trinta às dezoito e trinta, pelo que os elementos deste gabinete poderão estar no máximo em cada escola 50% do período de funcionamento e apenas em parte de cada escola.
O ministério diminui o número de funcionários nas escolas criando rácios funcionários/nº de alunos e substituindo ainda funcionários que a direcção de cada escola poderia gerir por serviços fornecidos por empresas, nomeadamente refeitórios e limpeza dos espaços escolares.
Assim a vigilância dos espaços escolares diminui de dia para dia, e só esta pode prevenir eficazmente a violência nas escolas. Temo que este seja apenas o primeiro caso.

Pateo alfacinha.


segunda-feira, 8 de março de 2010

Objectivos?

Na pseudo avaliação de desempenho de professores parida durante o triste consulado de m.l.r., não, não é engano, é mesmo com letra pequena bem á medida intelectual de tal personagem, pede-se aos professores o estabelecimento de objectivos numéricos relativos ao sucesso dos seus alunos, leia-se, percentagem de transição de ano e não se caia no erro de pensar em aprendizagens.
Ora o sucesso dos alunos deve ser um objectivo destes e não do professor. Para este, o sucesso dos alunos é um desejo que se estende a todos e não apenas a alguns. O papel do professor é dar aos alunos os meios e o apoio necessários para que estes com o seu esforço atinjam o sucesso, mas não pode nem consegue em qualquer caso substituir o esforço do aluno.
Se as aprendizagens e o sucesso não são um objectivo do aluno e sim do professor……….é porque algo está mal no Reino da Dinamarca.

O Praia de Sines


sábado, 6 de março de 2010

Autoridade, Poder, Responsabilidade.

Não podemos confundir autoridade, poder, nem finalmente responsabilidade material. Torna-se urgente definir e afirmar o que é que compete ao professor e o que é que está fora do seu alcance e desfazer confusões que instaladas nas nossas cabeças nos levam a encolher perante certas afirmações.
Talvez o mais urgente seja começar por afirmar que não existe um processo de ensino/aprendizagem, esta designação não passa de uma facilidade semântica.
O que há são dois processos distintos, o de ensino e o de aprendizagem, cujas responsabilidades cabem a diferentes actores.

Proponho-a para nova ME.


quinta-feira, 4 de março de 2010

Por falar em 2+2=5...

O texto seguinte encontra-se disponivel em debatereducacao.pt, utilizador siul50, desde Novembro de 2006.
O despacho referido ainda não tinha número quando se deu a reunião de grupo, de onde saíu excerto de acta, trata-se do Despacho nº 13599/2006 de 28 de Junho de 2006.


O insucesso escolar é um problema de aprendizagem, não de ensino.

Ponto 2:Relativamente ao nº3 do art. 10º do despacho entregue no Conselho Pedagógico de sete de Julho de 2006, com a seguinte redacção:
“ 3. Os docentes titulares da turma, disciplina e de educação especial que integram a equipa pedagógica são responsáveis pela evolução das aprendizagens dos alunos, sob a supervisão do director de turma.”.
Os docentes do 1º grupo alertam para a incongruência deste enunciado fazendo notar que no processo ensino aprendizagem existem duas componentes básicas com diferentes responsáveis.
À escola e aos professores cabe a organização do ensino nas suas diferentes vertentes nomeadamente, planificação, leccionação, fiscalização, avaliação e validação com a devida comunicação dos resultados.
Neste processo cabe-lhes a motivação didáctica tentando na medida das limitações ligar as matérias à realidade para dar sentido ao que se pretende que os alunos aprendam e criando dentro do possível situações que constituam desafios adequados para os estudantes.
Cabe ainda aos professores a exigência do cumprimento das regras e de comportamentos adequados.
Dos estudantes espera-se que mantenham e cultivem comportamentos a atitudes adequados ao seu nível etário e consentâneos com o grau de ensino que frequentam, em particular, a participação nas aulas, a tomada de atenção o cumprimento das recomendações dos professores e a execução das tarefas que lhes são propostas dentro ou fora da sala de aula, de modo a cumprirem, com empenho e perseverança, a parte que lhes cabe neste processo.
Acresce a estes dois aspectos uma vertente social que transcende a escola, apesar dos esforços desenvolvidos, e que carece de medidas apropriadas.
É importante que haja uma valorização social do papel da escola e dos saberes.
Um método de ensino para produzir aprendizagens e desenvolvimento de competências tem de integrar harmoniosamente estes três factores, não podendo caber a totalidade da responsabilidade do sucesso apenas a um dos intervenientes.
Nada mais havendo a tratar, deu-se a reunião por encerrada, da qual foi lavrada esta acta.
Este foi o texto possível a nível de grupo conciliando a forma acerca de um assunto acerca do qual todos estiveram de acordo quanto ao conteúdo e elaborado para uma acta e para apreciação nos grupos disciplinares, com vista a uma tomada de posição acerca de um erro consignado em legislação.
Entendo no entanto que é necessário desenvolver o tema e aborda-lo de um modo mais cru.
O enunciado do artigo em questão atribui a responsabilidade pelas aprendizagens dos alunos aos professores. E são-no realmente?
É responsável por algo ou alguém, aquele que responde por…
Mas só é responsável quem detém poder e capacidade de acção sobre o objecto da responsabilidade.
È um médico responsável pela cura ou não cura do doente?
Ao médico cabem o diagnóstico e a prescrição. Ao paciente, para se curar, cabe a execução da prescrição. O médico não tem poder sobre o paciente mas este está motivado para o cumprimento das suas indicações.
Não passa pela cabeça de ninguém exigir responsabilidade ao médico no caso de não cumprimento das suas indicações.
No entanto é isso que se passa no ensino.
O texto do artigo em questão pressupõe a existência de um método qualquer de ensino que produz as aprendizagens pretendidas nos alunos independentemente da vontade destes e dos seus comportamentos. Assim, se o aluno não aprende verificou-se um erro ou uma omissão qualquer a nível de ensino.
O ensino é na escola um processo destinado a indivíduos mas organizado de um modo colectivo.
A aprendizagem é um processo mental e como tal individual e intransmissível mesmo que os processos de trabalho sejam colectivos.

MATEMÁTICA B 10º ano Porto Editora; NEVES, Maria Augusta; Guerreiro, Luís; Pereira, Albino.
Pág. 8 O primeiro objectivo do estudo da matemática é desenvolver a capacidade de resolver problemas. Mas adquirir esta capacidade não é trabalho para um dia nem para uma semana. Trata-se antes, de querer muito, ter paciência, persistência, observação, raciocínio, integração de conhecimentos adquiridos em experiências anteriores, saber colocar questões e ter espírito crítico.
Assim o é nas outras disciplinas também.
No entanto:
“O comportamento dos alunos desta turma torna impossível qualquer aprendizagem.
Conversam sem prestar a mínima atenção ao que o professor explica nem aos exemplos que ilustram as matérias abordadas. Não tentam executar as tarefas propostas pelo professor, continuando a conversar, e ao serem exortados a executá-las, o que é indispensável para a compreensão e aquisição dos conhecimentos e competências, limitam-se a retorquir que estão à espera que o professor faça para então passarem do quadro.
Se abrem o caderno, este é fechado no fim da aula para só voltar a ser aberto na aula seguinte e são incapazes de consultar a lição anterior para utilizarem a informação fornecida.
A conversa em surdina é generalizada e, quando se chama a atenção, acham que não é nada com eles. Alguns calam-se mas os outros continuam. É preciso gritar para acreditarem que é a eles que o professor se está a dirigir. Finalmente calam-se para pouco depois tudo voltar ao mesmo. Alguns distinguem-se, falando muito alto, dando origem à ordem de saída da sala e respectiva participação.
Verificam-se comportamentos infantis como: assobiar, atirar aviões de papel ou levantar e deixar cair a mesa, enquanto o professor está voltado para o quadro e, se não conversam, tiram discretamente os telemóveis dos bolsos, manuseando-os por baixo das mesas para enviarem mensagens. É impossível localizar quem o fez e são solidários nestes comportamentos, não permitindo a identificação dos responsáveis.”
Este é o comportamento que tenho observado, com algumas variações, em metade das turmas que me foram atribuídas nos últimos dez anos todas dos três níveis do ensino secundário, o que em termos estatísticos constitui uma amostra razoável.
Finalmente resta saber se o erro foi intencional, ou se, como espero, foi apenas um lapso ou ainda, e a experiência profissional não me permite descartar esta última hipótese, se foi uma manifestação de ignorância das realidades e relações sociais e educativas da parte de quem por inerência das suas responsabilidades devia mostrar outro grau de competência.

Luís Torgal
Professor de matemática, Setúbal

domingo, 28 de fevereiro de 2010

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Potestas vs Autoritas, continuação.

O professor sabe daquilo que ensina, já cresceu e detêm a autoridade que provem do saber, isso é um dado adquirido, é uma condição necessária para ser professor, mas não é isso que está em causa.
O que falta é o poder que permite obter os comportamentos em tempo útil.
O professor tem de ser obedecido prontamente e não precisar de passar o tempo a mandar calar, sentar, etc.
O saber e o bom exemplo podem dar ao professor autoridade perante os alunos mas não o reconhecimento da necessidade de aprender, o que com a impunidade “inevitável” para os actos destes faz com que a sala de aula não seja um local de aprendizagem. Aliás sem um bom ambiente nem sequer o professor consegue fazer o que lhe compete, ensinar.
É ao nível das relações entre adultos que a autoridade está mais relacionada com o saber embora a sanção também possa estar presente.
Não é aceitável que um superior hierárquico não saiba mais do que o seu subordinado no que respeita aos assuntos profissionais, mas não basta saber mais, é necessário que esse saber seja correcto e adequado.
Não basta que o superior enuncie leis e regras, é necessário que estas estejam correctas e sejam adequadas.
Infelizmente, encontramos nos mais variados sítios, escolas inclusive, quem tente passar que 2+2=5 se isso estiver escrito num qualquer despacho ou lei, e que estão convencidos que o poder e a autoridade administrativa lhes dão também o saber.

O vaidoso

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Potestas vs Autoritas

Retomando o tema do poder o enunciado completo é “O saber é uma forma de poder de quem o detêm sobre quem o deseja.” E já agora, está disposto a fazer o esforço necessário a….
Autoridade deriva de autoritas que vem do verbo augere, que significa fazer crescer, aumentar.
Poder deriva de potestas que vem de potis que significa senhor de, que exerce o poder sobre.
Quando é que estes dois conceitos se fundem e quando é que se confundem? E quando é que se devem fundir e quando é que se devem separar?